Pastor pede votos para Russomanno e Haddad defende “estado laico”

Celso Russomano tem recebido apoio maciço de denominações evangélicas, mas tem fugido dessa associação em público. Ele afirma ser católico e diz que sua candidatura é ecumênica, que não está veiculada a nenhuma religião em específico.

Ontem, o candidato esteve em um culto na Assembleia de Deus Ministério em Santo Amaro ao lado do vereador e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus Atílio Francisco (PRB). O presidente da igreja, pastor Marcos Galdino, estava de aniversário e pediu “Leve esse nome, Celso Russomanno, para mais 100 pessoas, para que possa assumir essa grande cidade de São Paulo. Me dê esse presente. Vamos apostar em mudança”. Depois, pediu que os fiéis dessem dez abraços em pessoas que estavam ao lado, o que enfatiza o número do candidato.

Contudo, a igreja pode ser multada entre 2 e 8 mil reais. O artigo 37 da Lei Eleitoral diz que templos são bens o públicos e a prática de pedir votos é ilícita e que, se somada a outros fatos, pode culminar em abuso de poder. “O fato é ilícito eleitoral. Porque é proibida qualquer tipo de propaganda eleitoral, mesmo se ela acontecer em espaços privados. O espaço é público pelo seu acesso, que é livre”, explica Augusto Aras, professor de direito eleitoral da UnB.

Questionado sobre o assunto, Russomanno preferiu o silêncio. “O apoio é extremamente importante. Todas as igrejas são bem-vindas nessa campanha. Todas. Estou muito feliz com o apoio de todas.” “Não vou falar nada. Não partiu da gente”, emendou seu candidato a vice, Luiz Flávio D’urso (PTB). Ele foi advogado do casal Hernandes, líderes da Igreja Renascer em Cristo, que também apoiam Russomanno.

O ocorrido gerou críticas dos outros candidatos, em especial Fernando Haddad (PT), que foi ministro da Educação no governo Lula e ficou estigmatizado pelos evangélicos por ter proposto o chamado “kit gay”. O pastor Silas Malafaia já pediu que os evangélicos não votem nele.

“Temos uma legislação e não podemos jogar fora uma conquista da democracia, o Estado laico. A Prefeitura, o Estado e o governo federal têm de garantir a liberdade religiosa e as condições para quem quiser manifestar sua crença, isso é constitucional. Mas é inconstitucional o uso do espaço público para partidarização. Temos de impedir qualquer tipo de perseguição religiosa, mas a mesma Constituição que estabelece isso proíbe a utilização oportunista de templos e espaços públicos para a partidarização”, asseverou Haddad, que não tem apoio declarado de nenhuma igreja e disse não precisar disso. Embora tenha aceito o apoio oficial da comunidade muçulmana.

Duas outras alas da Assembleia de Deus apoiam outros candidatos nas eleições paulistanas. O Ministério do Belém, o maior do País, apoia José Serra (PSDB). O Ministério do Brás apoia Gabriel Chalita (PMDB).

O assunto tem incomodado Russomano que foi enfático com os repórteres hoje: “eu não comento uma atitude que não é minha. Tem de perguntar para ele porque ele (o pastor) fez (o pedido). Como é que eu sei o que as pessoas vão falar. Você está colocando numa situação em que eu não tenho como responder. Você (falando ao repórter) tem bola de cristal? Não tem. Você pode prever o que as pessoas vão falar? Não”.

Neste domingo ele continuará sua campanha em igrejas.  Vai participar de uma missa com o padre Juarez na Paróquia Assunção de Nossa Senhora, localizada no jardim Paulista. À noite, o candidato confirmou uma reunião na igreja evangélica Avivamento Bíblico, com o pastor José Carlos, na vila Arapuã – também na zona sul, mas em uma região mais periférica.

 Com informações Terra e Uol