Partido Novo decide apoiar impeachment de Bolsonaro

Novo decidiu formalizar o apoio do partido à abertura do processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. Em nota divulgada nesta segunda-feira (5), o partido afirma que tomou a decisão após profunda análise técnica, consulta a advogados, discussões e ampla reflexão sobre os fatos apresentados e consolidados pela CPI da pandemia, e chegou à conclusão de que Bolsonaro foi o responsável. Cometeu crimes.

De acordo com o posicionamento da sigla, a pandemia Covid-19 expôs a incapacidade de Bolsonaro de liderar a nação.

– Todos os países viveram momentos trágicos. Porém, no nosso país, a crise foi agravada pelo descaso, [por] omissão, incompetência e, possivelmente, corrupção do governo federal – afirma a legenda.

O partido diz apoiar “principalmente” o pedido de impeachment protocolado na semana passada pelo movimento Vem Pra Rua, feito antes de o “superpedido” ser apresentado na última quarta-feira (30), unindo-se a mais de 100 pedidos que já foram encaminhados à presidência da Câmara.

O Novo também afirma que tem se mantido distante das manifestações de rua contra Bolsonaro.

Além do combate ao vírus, a sigla alega que há “fortes indícios” de prevaricação no suposto esquema de corrupção na compra do imunizante Covaxin. Ao citar os depoimentos do deputado Luis Miranda (DEM-DF) e de seu irmão Luis Ricardo, servidor do Ministério da Saúde, dados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, o Novo defende a investigação dos contratos.

De acordo com o Novo, supostas interferências de Bolsonaro na Polícia Federal, no Ministério da Justiça e na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) configuram crimes de responsabilidade.

– O presidente notoriamente atua contra instituições do Estado de Direito, participa com frequência de manifestações antidemocráticas, tenta a todo custo descredibilizar o processo eleitoral – até mesmo as eleições de 2018, quando foi eleito para o atual mandato presidencial – diz a sigla.

Para a legenda, as ações de Bolsonaro criam polêmicas com outros Poderes e prejudicam relações institucionais e comerciais com outros países.

Após ser um dos partidos mais fiéis ao presidente, no início do ano o Novo declarou que iria fazer oposição ao governo Bolsonaro, mas de forma independente na Câmara dos Deputados, sem se aliar ao bloco de oposição em si.

À época, o Novo informou que o governo federal abandonou pautas fundamentais, como “reformas essenciais para o cidadão e para o retorno ao crescimento sustentável do país”.

*AE