Pandemia leva mais investidores para a Bolsa; confira dicas de especialistas

Apesar do número de investidores na Bolsa ter aumentado, o tíquete médio no último ano teve queda brusca: de R$ 16 mil para R$ 6 mil

Com oportunidades e preços atrativos durante tempos de crise, a Bolsa de Valores atrai novos investidores desde o início da pandemia da Covid-19. Entre fevereiro e junho de 2020, essa alta foi de 35,7%, considerando as pessoas físicas e jurídicas que investem na Bolsa brasileira, a B3. No mesmo período do ano passado, o número havia aumentado 23,2% nos mesmos grupos. Especialistas alertam que é preciso ter cuidado com a empolgação, apesar do cenário positivo para quem deseja ingressar no mercado de capitais. “A palavra do momento é cautela. Nós vemos as pessoas se empolgando, conversando com os amigos, tendo recomendações, e sabemos que isso é um pouco de ilusão. O ambiente é favorável para ingressar nesse mundo, mas a recomendação principal é que não seja um aventureiro. Busque informação ou um assessor”, avaliou o sócio-fundador da Veedha Investimentos, Rodrigo Moliterno. 

Entretanto, essa cautela recomendada não significa que o momento não deva ser aproveitado. “Dentro da crise, tivemos um processo forte de queda de juros, em que a renda fixa perdeu atratividade. Em contrapartida, maiores riscos acabaram ganhando essa atenção”, completa Moliterno. Os números e avaliações indicam que, ao contrário do que muitos pensam, um momento de crise não é exatamente ruim para todas as pessoas. “Um momento de crise é um momento de ruptura, de mudanças. Não tenha dúvida de que algumas pessoas nunca ganharam tanto dinheiro na vida quanto agora, e esse é um dos motivos, inclusive, para tanta volatilidade no mercado financeiro“, explica a mestre em Finanças Comportamentais e doutoranda em Comportamento do Consumidor, Paula Sauer. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira, que chegou a cair mais de 45% neste ano devido aos impactos da pandemia do coronavírus na economia, fechou nesta sexta-feira, 24, aos 102,4 mil pontos, o que mostra uma recuperação, apesar de ainda acumular queda, mas menor, de 11,5%.

Mas qual é o melhor produto para investir no momento? Os especialistas afirmam que não há uma resposta correta para todos os perfis de investidores. A recomendação geral é a diversificação da carteira, tendo em vista que todos os ativos não vão performar bem em um mesmo momento. “Analisando essa pandemia da Covid-19, a pessoa que está em um único ativo ou em um único produto com certeza sofreu mais e está demorando mais para se recuperar. Não adianta falar que agora é para comprar CDB ou título público, porque cada indivíduo tem sua característica e monta seu portfólio. Não existe receita de bolo”, disse Moliterno. 

Além disso, relacionar produto com risco é apenas uma das perguntas a ser fazer antes de investir — outras tantas precisam ser respondidas honestamente. “Primeiro, é importante saber do cliente quais são os planos e objetivos dele para utilização do dinheiro que ele quer investir agora. Por quanto tempo esse recurso pode ficar aplicado? Quanto do patrimônio do cliente representa esse recurso que ele quer investir agora? E é importante, principalmente no cenário atípico, explicitar para o cliente que seja lá o investimento que ele vá fazer pode existir a oscilação de preços”, explica Sauer.

Mercado fracionário

Apesar dos aportes de recursos na B3 terem aumentado de forma significativa, o tíquete médio, no último ano, teve  queda brusca: de R$ 16 mil para R$ 6 mil. Nessa perspectiva, uma das recomendações é começar pelo mercado fracionário. “Quando você compra uma ação e abre conta em uma corretora, você tem duas formas: o lote padrão, em que você compra uma quantidade X de ações por um preço Y, ou o lote fracionário. No padrão, você compra pelo lote inteiro de 100, 200, 300 ações. Quando você faz isso, se uma custa R$ 20, você coloca um capital muito elevado nessa aplicação. Já o modelo fracionário dá a possibilidade de comprar menos. E isso é importante porque você não precisa ter muito dinheiro para investir de uma só vez”, explica o analista Matheus Soares, da Rico Investimentos. 

Apesar de não ser uma modalidade nova, o fracionário ficou mais atrativo com a queda da taxa Selic — que agora está em 2,25% ao ano. De acordo com uma pesquisa da Rico, dos 3.000 investidores entrevistados, 71% negociam ações nesse mercado. Desses, 59% escolheram essa modalidade por ter pouco dinheiro, enquanto 41% apostam nesse segmento por estarem ainda dando os primeiros passos. E esses são os benefícios mais sólidos da modalidade: a acessibilidade, já que dá para começar a investir a partir de R$ 20, e rentabilidade — já que, ao investir em ações, você se torna sócios de grandes empresas em curto, médio ou longo prazos.