O oportunismo mórbido de Marina Silva

Os restos mortais de Eduardo Campos nem haviam descido à sepultura e Marina Silva já estava faturando alto no marketing eleitoral.

Desfilando no velório de Campos com seu sorriso de candidata, Marina chegou ao cúmulo de tirar fotos, perto do caixão, com alguns fãs que encontrou por lá. Com pose de viúva, ela segurou o retrato do presidenciável morto como se fosse um prêmio…

Ou o bastão passado por Campos para que ela prossiga na campanha no lugar dele.

Enquanto a viúva de Eduardo, Renato Campos, permaneceu o tempo todo com uma postura serena e discreta, Marina agiu como candidata-herdeira-viúva do socialista, posando para as fotos como uma figura trágica, certificando-se de parecer uma mártir ainda viva.

Claro, dirão os leitores, qualquer político, no lugar dela, faria o mesmo. O problema é que os defensores de Marina a enxergam como uma alma imaculada, acima do bem e do mal, que só pensa na paz mundial, no bem estar das formigas e no futuro das plantas.

Marina estava fazendo fotos, sorrindo e transformando um velório em comício? Não interessa, ela tem um coração nobre e fará o necessário para salvar até as baratas.

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Os marinistas não suportam que alguém escreva uma vírgula crítica à sua deusa da selva – e isso já revela o sectarismo no qual se funda a religião ambientalista.

É como se Marina Silva se comunicasse com as árvores ou tivesse saído do filme Avatar direto  para nossa realidade e, por isso, tivesse o privilégio de viver sem receber qualquer contestação ou sem que alguém possa lhe dirigir perguntas inconvenientes.

Sinto-lhes informar, mas Marina Silva não é um anjo disfarçado.

Ela se apresenta como uma figura messiânica, com sua imagem forçada de mulher simples (ainda que esteja sempre viajando de jatinho particular por aí), exageradamente franciscana, mas sua imagética de mulher santa não resiste a uma lufada de ceticismo.

Em artigo recente, lembrei que Marina aprovou o decreto da presidente Dilma que cria os conselhos “populares” (que dá mais poder ao MST e outros grupos de “coitadinhos” que vivem mamando nas tetas do Estado) – o que especialistas e mesmo aliados do PT classificam de golpe contra a democracia.

Também destaquei que na eleição de 2010 Marina Silva se acovardou diante da questão da legalização do aborto, propondo um desnecessário plebiscito sobre o tema.

Jamais vou me esquecer da reação histérica dos marinistas ao meu humilde artigo.

Marina Silva atingiu uma posição de santidade que impede que pessoas céticas, como eu, façam perguntas inconvenientes. Ainda bem que o jornalista Reinaldo Azevedo, da Veja, fez algumas dessas perguntas, e preciso apenas citá-lo:

Eu não sei, por exemplo, e ninguém sabe, do que ela vive e quem sustenta o aparato — que não é pequeno! — que a acompanha. Há tanto tempo sem legenda, flanando por aí, a questão é pertinente. Fosse outro, o jornalismo investigativo já teria se ocupado de apurar. Como é Marina, não se toca no assunto. Imaginem se algum outro candidato à Presidência da República tivesse um banqueiro — ou uma banqueira… — pra chamar de seu. Ela tem. O que nos outros seria pecado é, em Marina, tratado como virtude.

Infelizmente, poucas pessoas são capazes de fazer estas perguntas. E bem menos gente se importa com elas, já que endeusaram uma mulher ainda em vida.

É triste ver tanta gente supostamente crente caindo, descaradamente, na idolatria.