Ministro da Educação também não tem pós-doutorado em universidade alemã

(foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
(foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O currículo do novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, voltou a ser questionado nesta segunda-feira (29/6). Após ter o título de doutor em administração desmentido pelo reitor da Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, foi a vez de a Universidade de Wuppertal (Bergische Universität Wuppertal), na Alemanha, negar o pós-doutorado que o professor afirma ter no currículo. 

 

Em nota enviada à reportagem, a universidade alemã informou que Decotelli apenas atuou por três meses na cadeira de uma professora, a Dra. Brigitte Wolf, em 2016. “Ele não obteve nenhum título em nossa universidade. A Universidade de Wuppertal não pode fazer nenhuma declaração sobre títulos obtidos no Brasil”, escreveu.

 

Carlos Decotelli veio para a cadeira da Prof. Dra. Brigitte Wolf para uma pesquisa de três meses em 2 de janeiro de 2016. Até 2017, ela foi professora de teoria do design, foco: metodologia, planejamento, estratégia na Universidade de Wuppertal e agora é emérita. Ele não adquiriu nenhum título em nossa universidade. A Universidade de Wuppertal não pode fazer declarações sobre títulos adquiridos no Brasil.

 

A informação de que o atual ministro da Educação do Brasil realizou pós-doutorado entre 2015 e 2017 na instituição consta no currículo lattes dele, disponibilizado na plataforma do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), atualizada por ele pela última vez no último sábado (27/6). 

 

Também no sábado, o Ministério da Educação (MEC) afirmou, por meio de nota, que Decotelli construiu um projeto de pesquisa intitulado “Sustentabilidade e Produtividade na automação de máquinas agrícolas”, submetido à Universidade de Wuppertal, na Alemanha, “tendo por base pesquisa específica que teve o apoio da empresa Krone”. 

 

Segundo a pasta, a universidade alemã aceitou apoiar o projeto e a pesquisa foi orientada pela professora Brigitte Wolf — citada na nota em que a instituição nega o pós-doutorado de Decotelli — e por Siegfried Maser, tendo sido concluída e publicada em 10 de outubro de 2017. 

 

Doutorado desmentido

Decotelli já havia sido desmentido em relação ao doutorado que informou ter na Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, na última sexta-feira. O esclarecimento foi feito pelo próprio reitor da instituição, Franco Bartolacci, pela página pessoal dele no Twitter, compartilhando a publicação do presidente Jair Bolsonaro em que fez a nomeação do terceiro ministro da Educação de seu governo. 

 

Sobre isso, o MEC comunicou que o ministro cursou um doutorado em Administração na universidade argentina, de 2 de outubro de 2007 a 7 de fevereiro de 2009, “tendo sido aprovado em todas as disciplinas com todos os créditos”. A pasta, porém, não chegou a esclarecer que Decotelli não teve a tese para o respectivo curso aprovada. Requisito para obter o título adacêmico.

 

Por fim, Decotelli reconheceu que apresentou uma tese de doutorado que não teve a defesa autorizada. Seria preciso apresentá-la novamente. Mas, segundo o MEC, por “compromissos no Brasil e, principalmente, pelo esgotamento dos recursos financeiros pessoais”, ele voltou ao Brasil sem o título de doutor.

 

Suspeita de plágio

A polêmica envolvendo o currículo do novo ministro da Educação não parou por aí. Um levantamento feito pelo UOL apontou suspeita de plágio da tese de mestrado de Decotelli, apresentado em 2008 na Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro.

 

Veja nota completa da Universidade de Wuppertal:

“Carlos Decotelli veio para a cadeira da Prof. Dra. Brigitte Wolf para uma pesquisa de três meses em 2 de janeiro de 2016. Até 2017, ela foi professora de teoria do design, foco: metodologia, planejamento, estratégia na Universidade de Wuppertal e agora é emérita. Ele não adquiriu nenhum título em nossa universidade. A Universidade de Wuppertal não pode fazer declarações sobre títulos adquiridos no Brasil.”