Bolsonaro é recebido por milhares de pessoas em Belém, Jean Wyllys comenta: "fascistas"

Bolsonaro é recebido por milhares de pessoas em Belém, Jean Wyllys comenta: "fascistas"

"Fecha tudo, tudo. Estão derrubando o portão. Corre porque eles vão invadir", gritava um segurança, desesperado. O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) se aproximava de um salão de eventos em

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"Fecha tudo, tudo. Estão derrubando o portão. Corre porque eles vão invadir", gritava um segurança, desesperado.


 O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) se aproximava de um salão de eventos em Belém (PA), onde daria uma palestra para seus fiéis seguidores.

No aeroporto, Bolsonaro foi recebido por milhares de pessoas - parecia um "popstar". Nos discursos que proferiu durante o dia, destacou várias vezes que "não é candidato" - uma maneira de driblar a lei eleitoral que proíbe campanha antes da hora.Foi a primeira vez que ele visitou Belém nos últimos dois anos. O evento foi organizado pelo deputado federal Éder Mauro (PSD), ex-delegado no Pará.

O espaço da palestra, alugado por R$ 9 mil, tinha capacidade para mil pessoas, mas 8 mil ingressos foram distribuídos gratuitamente pela internet. A maioria não conseguiu entrar, revoltou-se com os seguranças e tentou invadir a casa. A polícia não apareceu."Ninguém imaginava que viria tanta gente", disse uma organizadora.

Em massa, os partidários do deputado, a maioria jovem, empurraram a primeira barreira de portões, que foram quebrados. Uma vidraça se estilhaçou.Do lado de dentro, a gerente do salão, Janete dos Santos, gritava: "Vamos cancelar, avisa todo mundo que cancelamos o evento. Cadê a polícia? Estamos sendo coagidos, ameaçados".Ela queria cancelar a palestra, com medo de mais danos ao patrimônio da empresa. Enquanto isso, organizadores tentavam convencer os donos do espaço a manter o evento, aos berros. Do lado de fora, os seguidores do deputado batiam nos vidros e na segunda barreira de portões - que ficaram amassados.

'Mito, mito, mito'

Dentro do mesmo prédio, há uma cervejaria que pertence ao mesmo grupo. Ela precisou ser fechada - o happy hour foi cancelado. "Era melhor a gente nem ter alugado. Nem dá para calcular esse prejuízo."Quando o carro de som de Bolsonaro chegou ao local, uma chuva torrencial atingiu o centro de Belém.

O público pulou como se estivesse em um estádio, aos gritos de "mito, mito, mito", - apelido do deputado entre seus seguidores.Em meio a multidão, Bolsonaro, encharcado, primeiro falou do lado de fora mesmo. No discurso, similar ao que posteriormente fez dentro do espaço alugado, o político voltou ao seus temas favoritos - e que levam à alegria seu público. Pediu a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prometeu o fim restrição ao porte de armas no país, fez elogios à ditadura e críticas à imprensa - que o persegue, segundo ele.