Analistas políticos afirmam que críticas e religião derrubaram Russomanno

Analistas políticos ouvidos pelo Terra acreditam que o candidato Celso Russomanno perdeu votos diante das críticas e das questões religiosas que acabaram tomando conta de sua campanha.

Ele que estava em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto chegando a 35%, acabou ficando em terceiro lugar na apuração final dos votos em São Paulo recebendo apenas 21% dos votos.

Para comentar este resultado, o portal Terra ouviu o cientistas político Marcus Ianoni que acredita que as ligações que fizeram entre Russomanno e a Igreja Universal do Reino de Deus foram prejudiciais. “O Russomanno foi uma bolha que estourou. Durante a campanha, ele sofreu críticas importantes que tiveram impacto na opinião pública”.

Ianoni que é professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF) também acredita que a queda do candidato do PRB aconteceu pelas críticas que o candidato do PT, Fernando Haddad, fez sobre a proposta de Russomanno de reorganizar o sistema de cobrança de passagens do transporte público.

“O Haddad foi feliz em abordar as consequências da proposta de transporte do Russomanno, que prejudicaria a população de baixa renda. Foi um debate de políticas públicas muito bem aproveitado pelo Haddad que, ao fazer a crítica técnica da proposta, passou para o eleitorado a impressão de que seria prejudicado”, diz Ianoni.

Apesar do apoio de grandes igrejas evangélicas, incluindo a Igreja Universal do Reino de Deus, teve desentendimento com o arcebispo da Arquidiocese de São Paulo ganhando a rejeição dos católicos.

“Russomanno, embora se declare católico, é vinculado a um grupo político (o partido) e a outro midiático (Record) ligado à Universal. Embora os evangélicos sejam fortes, os católicos também são fortes”, disse O professor da UFF.

Já para o cientista político Ricardo Caldas, professor da Universidade de Brasília (UnB), o candidato Russomanno não conseguiu votos suficiente para chegar no segundo turno porque no final se mostrou um político tradicional, desfazendo a ideia de que ele seria uma nova alternativa para cidade.

“O eleitor acabou vendo que ele era um político tradicional, com as mesmas práticas e que, além disso, tinha se aliado a uma igreja que não era necessariamente a dele para concorrer à Prefeitura”, disse.

Ricardo Caldas também acredita que “ele estava fazendo o papel do defensor do eleitor e, de repente, no final da eleição, se descobre que ele não era novo, não era original”.