Síndica pede para "casal gay" não se agarrar perto das crianças e recebe processo por homofobia

Síndica pede para "casal gay" não se agarrar perto das crianças e recebe processo por homofobia

O jornalista Marcos Viegas, 33, e seu marido, o professor de educação física Joaquim Garcia, 25, fizeram uma denúncia de homofobia à polícia em Brasília.O alvo é a síndica do prédio onde eles m

Leia tudo

O jornalista Marcos Viegas, 33, e seu marido, o professor de educação física Joaquim Garcia, 25, fizeram uma denúncia de homofobia à polícia em Brasília.

O alvo é a síndica do prédio onde eles moraram por quase um ano, no setor Sudoeste (área nobre de Brasília).

De acordo com o casal, os dois eram sistematicamente discriminados nos ambientes públicos e de lazer do condomínio por serem homossexuais.

Quando o casal se mudou do Rio para o prédio de Brasília, em setembro do ano passado, foi logo alertado por um dos moradores de que não poderia se agarrar em ambientes como a piscina, sob pena de cometer "atentado ao pudor" por se tratar de um local onde havia "famílias e crianças"."Assumidamente não tinha nenhum outro casal homossexual no prédio, que se tratasse por 'amor' ou trocasse carinho", contou Marcos.

"A maior parte das pessoas [do prédio], quando a gente chegava, saía. Fazia carão, comentava."O casal conta que tentou levar a situação com bom humor, nos primeiros meses.

"Brincávamos, até. Muitas vezes dizíamos a nossos amigos que não importava quão cheia estivesse a piscina. Sempre a teríamos inteiramente para o nosso prazer", escreveu Marcos em um post no Facebook.

As regras quando se tratava do casal eram aplicadas duramente, segundo os dois contaram.

Uma das ocasiões foi um teste que eles fizeram ao levar cerveja para a piscina um dia depois que os outros vizinhos tinham feito o mesmo.

Apenas os dois foram repreendidos, destaca Nonato, que registrou em fotos os outros vizinhos com copos e garrafas de cerveja no local.A situação se agravou em maio deste ano, quando o jornalista sofreu uma queda na sauna do prédio.

O acidente resultou em oito pontos na cabeça mas foi visto com desconfiança pela síndica, a enfermeira Andressa Souza, quando eles reportaram o fato e pediram que fosse mudado o piso da sauna para um antiderrapante."A relação era horrível e a minha queda foi o momento mais dramático. Ela sugeriu que eu não caí, mesmo tendo ouvido relato do vizinho que me socorreu", disse Nonato."O meu esposo disse 'eu não sou moleque; eu sou homem' e ela respondeu 'éééé?'", afirmou Marcos, reproduzindo o que teria sido o diálogo. Marcos rebateu com a pergunta: "Você está fazendo deboche?".

Depois da discussão, a síndica convocou um funcionário para prestar queixa contra Nonato. A denúncia foi de agressão moral. Marcos e Joaquim prestaram outra queixa, desta vez de falsa comunicação de crime. Também fizeram queixa-crime de homofobia na delegacia especial de crimes de discriminação racial, religiosa, por orientação sexual, por pessoa idosa ou com deficiência, preconizando um processo.Há quinze dias, Marcos e Joaquim deixaram o apartamento. Entregaram as chaves antes do encerramento do contrato, em janeiro, e pagaram multa. Iniciaram um processo contra o condomínio por causa do acidente. Marcos chamou seu desabafo no Facebook de "longo relato da nossa doença pessoal".

O que diz a síndica:

Andressa Souza respondeu à denúncia por meio de uma nota: "Toda e qualquer eventuais acusações já estão sendo investigadas e esclarecidas pelos órgãos competentes, onde sempre estive à disposição. Apenas estou atuando como síndica, no interesse de fazer cumprir as normas condominiais, onde foram infringidas; no caso em questão os rapazes estavam se agarrando e se tocando na frente das crianças e tive que tomar uma atitude".